quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Leituras de "Pedagogia do Oprimido"

O PET/Conexões de Saberes discutiu durante três semanas o livro "Pedagogia do Oprimido" de Paulo Freire. A seguir, algumas observações dos bolsistas participantes do grupo de estudos:

JOVIANA VEDANA DA ROSA
Estudante de Licenciatura em Geografia - UFFS/Erechim

           Certa vez li em algum lugar: “Ser o que somos e vir a ser o que somos capazes de ser é o único objetivo da vida” (Spinoza). Sempre gostei desta frase, mas nunca parei para refletir sobre ela até ler o livro “Pedagogia do Oprimido” de Paulo Freire. Como estamos sempre em busca do que somos e do que poderemos ser capazes de ser esquecemos, o que Paulo Freire coloca, que “para ser tem que estar sendo”.
            Acreditamos que “ser” é um objetivo que deve ser alcançado e, muitas vezes, nos confundimos que ter significa ser e ter mais significa ser mais. “Ser mais” para Paulo Freire significa a humanização, o homem com consciência de “estar sendo” na sua dimensão histórica, de continuidade e passível de transformação. Se não enxergamos isto somos oprimidos, um povo sem consciência própria, manipulados, adaptados, “coisificados”, dependentes. E é isto que acontece. Estamos tão naturalizados com a opressão que os oprimidos espelham-se nos opressores, já que estes se fazem refletir um ideal de “sucesso” e “felicidade” e apontam o que é, para eles, o caminho para a liberdade da opressão, mas na realidade não se permite aos oprimidos refletirem sobre a sua condição, os individualiza e serve para sustentar a ideia de que ser o que somos precisa estar ligado a um objetivo e  o que está estatuído: a exploração dos oprimidos para manter os privilégios dos opressores.
            A consciência da relação dos oprimidos e dos opressores e a libertação entre os dois pólos, segundo Paulo Freire, dá-se através da práxis da educação, da reflexão e da ação, conjuntamente, o que nos remete ao que Galileu dizia: “Nada podes ensinar ao homem. Podes somente ajudá-lo a descobrir as coisas dentro de si mesmo” e ao que ele mesmo expõe: “Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo”. Eis os grandes desafios: ajudar os oprimidos a descobrirem-se em sua condição e com isso libertar-se dos opressores e não se tornarem um e ajudar os opressores a se reconhecerem como tal, como pessoas que visam apenas os seus privilégios e não os seus direitos. Deve-se evidenciar, de acordo com Freire, que apenas ter a consciência da “realidade opressora” não se deixa de ser um opressor ou um oprimido, por isso, vale ressaltar a importância de entender que “ser” não é um objetivo, mas sim, “para ser tem que estar sendo”.

JULIANA GEMELLI
Estudante de Licenciatura em História - UFFS/Erechim

     Uma das primeiras obras que Paulo Freire escreveu já traz no título um destaque a ser pensado. Em “Pedagogia do Oprimido” a conjunção do (de mais o artigo o) já nos faz refletir que não é uma pedagogia já pronta para as pessoas oprimidas, e sim uma construção delas próprias. A pedagogia hoje dominante é a das classes dominantes, que não viria a ser útil para as classes dominadas. Por isso a pedagogia do oprimido viria a ser libertadora, não só para ele, mas para seu opressor também.
     No entanto, em um primeiro momento, é preciso saber quem é o oprimido e quem é o opressor, dessa forma, o oprimido deve se ver como tal para então poder se libertar. Toda pessoa tem o direito de ser livre, mas essa liberdade, essa libertação causa um certo medo e receio por não ser algo comum e cotidiano.
     Para essa libertação e conscientização coletiva uma relação educador-educando se faz necessária, mas de modo que seja um diálogo, uma troca de experiências, um saber ouvir e construir ideias e conceitos juntos, ao invés de um mero depósito de conteúdos para os ‘alunos’ e uma memorização mecânica da partes destes. É necessária uma reflexão em conjunto com a ação (práxis), um respeito pelo outro, ter humildade e saber agir no coletivo (pois ninguém se faz sozinho) para assim começar a mudar o seu meio, fazer uma pedagogia do oprimido para que assim deixe de existir opressores e, consequentemente, deixe de existir oprimidos.

FABRÍCIO FONTES DE SOUZA
Estudante de Licenciatura em Geografia - UFFS/Erechim

          A opressão social ao qual os “esfarrapados do mundo” sofrem é o foco central de Paulo Freire no livro a Pedagogia do Oprimido. A desigualdade entre as classes dominantes e as classes mais populares faz com que Paulo Freire, nos exponha a partir do universo educacional a luta a favor da libertação e contra a dominação dos que são mais favorecidos a uma maior qualificação.
            Paulo Freire nos conduz a uma maior conscientização para que o indivíduo seja resgatado e tenha a aceitação da sua própria realidade, e a partir dessa realidade abrir as possíveis possibilidades e oportunidades ao qual todos nós temos direito, de uma educação onde o papel seja libertar os oprimidos para uma maior transformação social e assim desenvolver suas especificidades.
            Em um contexto transformador e ao mesmo tempo de uma sensibilidade impar em relação ao ser humano Paulo Freire é comprometido e induzir o homem a um maior senso crítico que esteja voltado para a melhora do mudo. A revolução se torna a maior ação para acabar de vez com as opressões no ensino pedagógico, o que resulta na revisão dos próprios sentimentos em relação a nós e ao nosso semelhante para assim passarmos a obter mais fé nos indivíduos em forma de comunhão para um maior desenvolvimento das práticas pedagógicas.
            Ao incorporarmos o ato revolucionário vamos passar a transmitir o “possível” em condições muitas das vezes desassistidas e desacreditadas, assim cabe o educador realizar em seu oficio uma verdadeira arte de trazer à tona pela autonomia e pelo otimismo as diversas comunicações com o mundo.

FERNANDA MAY
Estudante de Licenciatura em Ciências Sociais - UFFS/Erechim
     Se tivesse que definir um sentimento para traduzir minhas impressões da leitura do livro “Pedagogia do Oprimido” seria o da “esperança”. A esperança de um mundo melhor, menos desigual, menos injusto e menos opressor. Um mundo mais bonito.
     Paulo freire através do olhar “dos esfarrapados do mundo” nos aponta caminhos para a construção desse “novo”. 
     Refletindo a sociedade opressora que domina, que coage e que cala os indivíduos, Freire aponta para a necessidade de libertação desse povo. Povo que tem sua cultura e seus saberes ocultados, e que precisa aprender a dizer a sua palavra. 
     A partir de uma educação conscientizadora, que permita uma leitura crítica da realidade, que permita que os indivíduos se percebam enquanto sujeitos históricos haverá uma superação desse estado de passividade, e os indivíduos poderão construir suas próprias verdades, sem depender de ninguém para lhes indicar os caminhos. Serão autônomos nas suas decisões e escolhas. 
    Essa educação deve ser baseada no diálogo, na compreensão, no respeito e no compartilhamento de conhecimentos entre os indivíduos, sem uma hierarquização de saberes.
     Na medida que nossas atitudes, nossos valores e princípios, nosso compromisso com o mundo, estiverem de acordo com a busca de um mundo melhor onde haja amor, fé e esperança nos homens, estaremos contribuindo nessa utopia freiriana de “um novo mundo possível”. 
     Acredito que a maior contribuição da Pedagogia do Oprimido é esta “utopia”, que nos faz repensar o significado daquilo que vivemos e daqueles com quem vivemos, para juntos lutarmos por nossa libertação. Nos posicionando enquanto parte importante e constituinte do mundo, reconhecendo nossa ingenuidade para a partir daí criticar aquilo a que somos submetidos. 
     E para além das palavras, a esperança nos homens para que se façam donos dos seus caminhos.



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